Nem toda queda acontece diante de todos. Algumas acontecem em silêncio.
A Queda nasce inspirada em uma das imagens mais marcantes da história da arte: O Anjo Caído retratado por Alexandre Cabanel em 1847.
Mais do que representar uma figura religiosa, a obra se tornou um símbolo de orgulho, ambição, revolta e das consequências das próprias escolhas. Um instante congelado entre a glória e o abismo.
Na estampa frontal, o olhar surge oculto entre sombras. Um fragmento da pintura original transformado em símbolo. Não vemos a queda. Vemos o momento logo antes de aceitá-la.
Os olhos carregam tudo aquilo que não foi dito: a fúria, a frustração, a resistência e a recusa em se render completamente.
Entre o céu que ficou para trás e o desconhecido que existe à frente, existe apenas um instante.
Um instante em que a perda ainda não se transformou em memória.
Em que o orgulho ainda fala mais alto que o arrependimento.
Em que o destino já foi escrito, mas o coração se recusa a aceitar.
É exatamente nesse momento que A Queda permanece para sempre.